terça-feira, 17 de janeiro de 2017

As Raízes do Sofrimento






O sofrimento é um estado de inconsciência. Somos desgraçados porque não somos conscientes do que estamos fazendo, do que estamos pensando, pelo que estamos sentindo, e por isso nos contradizemos continuamente, a cada momento.








A ação vai em uma direção, o pensamento em outra, o sentimento está em outra parte. Vamos fazendo pedaços, cada vez estamos mais fragmentados. Isso é o sofrimento: perdemos integração, perdemos unidade. Perdemos por completo o centro, somos uma simples periferia.

E naturalmente, uma vida que não seja harmoniosa está condenada a ser miserável, trágica, uma carga que terá que levar como um sofrimento. Quão máximo a gente pode fazer é conseguir que este sofrimento seja menos doloroso. E existem mil e uma classes de estorva dores.

Como as drogas, o álcool, também a religião se utilizou das pessoas deixando-as drogadas, porque elas mesmas se dedicam ao mesmo negócio; estão contra os competidores. É uma espécie de monopólio: no mercado só fica uma droga e todo o resto se declara ilegal!

A gente vive sumido no sofrimento. Só existem duas maneiras de sair dele: a primeira consiste em converter-se em meditador: alerta, acordado, consciente... e isso é algo muito difícil, necessita-se coragem.

A segunda maneira consiste em encontrar algo que te possa deixar ainda mais inconsciente do que já está, para que não possa sentir o sofrimento. Encontrar algo que te deixe anestesiado para esquecer todas suas ansiedades, angústias e sem sentidos.

A segunda maneira não é a verdadeira. A segunda maneira só faz que seu sofrimento resulte um pouco mais confortável, um pouco mais suportável, um pouco mais cômodo. Mas não ajuda, não te transforma. A única transformação chega pela via da meditação, porque a meditação é o único método que te faz consciente. Para mim, a meditação é a única religião verdadeira. Todo o resto é um engana bobos.

E existem diferentes marca de ópio: cristianismo, hinduísmo, islamismo, jainismo, budismo... mas são só diferentes marcas. O recipiente é distinto, mas o conteúdo é o mesmo: todas lhe ajudam de algum modo a te adaptar a seu sofrimento.

Não há necessidade de adaptar-se ao sofrimento: existe a possibilidade de livrar-se por completo dele. Mas o caminho é um pouco difícil; o caminho é um desafio. Tem que te fazer consciente de seu corpo e sua mente, e do que faz com eles...

O primeiro passo para a consciência é prestar muita atenção a seu corpo. Pouco a pouco, alguém se vai pondo em estado de alerta ante cada gesto e cada movimento. Já à medida que vai fazendo consciente, começa a ocorrer um milagre: deixa de fazer muitas coisas que antes fazia. Você se encontrará na mais profunda paz, como uma música sutil vibrando em seu corpo.

Depois, segundo passo,começa a te fazer consciente de seus pensamentos; terá que fazer o mesmo com os pensamentos. São mais sutis que o corpo e é óbvio, também mais perigosos. E quando te fizer consciente de seus pensamentos, surpreenderá-te o que ocorre em seu interior.

Se puser por escrito o que está ocorrendo em qualquer momento, levará-te uma grande surpresa. Não lhe vais acreditar isso, "Isto é o que está ocorrendo dentro de mim?". Segue escrevendo durante só dez minutos.

Fecha as portas com chave, e, fecha também as janelas para que ninguém possa entrar, para que possa ser completamente sincero. Acende o fogo, para poder atirar ao fogo o que escreveu, assim ninguém saberá além de ti.

E depois seja absolutamente sincero; ponha a escrever o que esta passando dentro da mente. Não o interprete, não o altere, não o edite, te limite a pô-lo no papel sem adornos, tal como é, exatamente como é. E ao cabo de 10 minutos, lê-o. Verá uma mente louca por dentro!

Não somos conscientes de que essa loucura flui constantemente. E a soma de tudo isso vai ser sua vida.! E o milagre da consciência é que não precisa fazer nada, além de te fazer consciente. O fenômeno mesmo de observá-lo faz que, pouco a pouco, o louco vai desaparecendo.

Pouco a pouco, os pensamentos começam a ajustar-se a certa pauta. Seu caos desaparece, vão se convertendo em algo mais parecido a um cosmos. E uma vez mais, uma profunda paz o domina. E quando seu corpo e sua mente estiverem em paz, verá que estão sintonizados um com outro, que existe uma ponte.

Agora já não correm em diferentes direções, já não cavalgam em diferentes cavalos. Pela primeira vez há acordo, e esse acordo constitui uma ajuda imensa para trabalhar o terceiro passo: te fazer consciente de seus sentimentos, emoções, estados humor.

Esta é a capa mais sutil e mais difícil, mas se pode ser consciente dos pensamentos, só tem que dar um passo a mais, necessita-se uma consciência um pouco mais intensa para começar a meditar sobre seus estados de humor, suas emoções, seus sentimentos.

Assim que for consciente destas três coisas, todas se unem em um único fenômeno. E quando estas três coisas forem, uma sozinha, funcionando perfeitamente ao uníssono,cantarolando juntas, quando puder sentir a música das três -converteram-se em uma orquestra- ocorre o quarto passo. O que você não pode fazer ocorre por si só, é um presente da totalidade. É uma recompensa para os que têm feito estas três coisas.

E o quarto passo é a consciência definitiva que o acordado é um. Alguém se faz consciente da própria consciência, essa é o quarto passo. Isso te converte em um Buda, um ser acordado. E só nesse despertar chega a conhecer o que é a bem-aventurança.

O corpo conhece o prazer, a mente conhece a felicidade, o coração conhece a alegria, o ser conhece a bem-aventurança. A bem-aventurança é o objetivo, e a consciência é o caminho que leva a ela!

OSHO





Fonte: Extraído do livro "Consciência: A Chave Para Viver Em Equilíbrio"

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